visitante(s) soprando palavras ao vento




25.2.05

Dois Poemas Femininos

Eu sem Estar em Mim

Tenho sensações sem movimento,
Num momento de solidão;
Silêncio:
Um quase que, que é como que fosse que.
Eu fico só nisso.
Eu fico só.
Um que,
Um quase,
Um sei lá!
Um nada:
Solidão quieta;
Sozinha ouvindo a barulheira do silêncio da madrugada.
Eu sem estar em mim(?).

Poema de: Francine Maria Reis


Ás vezes tenho medo ...


Ás vezes tenho medo ...

Medo de olhar e enxergar
Medo de sentir e gritar
Medo de escorregar e cair na lama
Medo de viver e morrer

Fico paralisada por algum tempo...

Esqueço que na vida nada é certo ou errado
Que tudo pode ser ou não
Que não há garantias
E tudo depende das minhas escolhas

Esqueço que meus olhos são estrelas
Que meus cabelos são os ventos das tempestades
E das pequenas asas nos meus pés

Esqueço que existe um vulcão dentro do meu coração
E que o sol brilha em meu peito
Intensificando a emoção
E clareando a razão

Daí-me força, meu Deus, para ser o que sou.
Força para seguir meu caminho sem medo
E ser feliz

Poema de: Cláudia Perotti

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 4:00 PM
 

Os homens chorarão
( Por vocês ).


Fragilidade, teu nome é mulher.*
Suave-Suprema-Força, teu nome é mulher:
Coragem...

Carnal Espírito Divino,
Às vezes santo,
Ás vezes profano,
Ás vezes nosso dano,
Ás vezes materno,
Ás vezes fraterno,
Ás vezes mundano,
Ás vezes ufano,
Ás vezes urbano,
Ás vezes terno,
Ás vezes Eterno,
E também,
Ás vezes nosso Inferno.

Beleza
Leveza
Loucura
Para a ferida do coração a cura
Formosura
Luxúria
Glória
Graça
Desgraça
Bela Canção
Perdição
Comoção
Clemente
Demente
Ativa
Vingativa
Boa
Ou talvez má
Luz
Escuridão
Nossa brilhante Lua Prata
A perdição que nos mata
Nossa Lua Negra
Ninfa Bela
Lilith sedutora e perversa
Algumas anjos
Outras tantas demônios
Donas de seus próprios narizes
Outras carentes
Mulheres...
Falhas e humanas como os homens
Mas são muito mais
São mais fortes
São Gaya
O Espírito que move o mundo
São...
Mulheres...

Algumas sentimentais
Outras temperamentais
( Sopro do Dragão )
Umas que além da mão lhe dão até a alma
Outras que nos tiram a calma
Lhe dão o corpo te amagam o coração e levam o resto.

Uma voz sem som fez-se ouvir no meio do Nada Absoluto,
Disse:
"Faça-se a luz",
E surgiu o Espírito feminino,
Sophia havia dado à luz a Existência.
Neste dia foi decretado,
E o juramento selado:
"Embora de aparência frágil
Vós mulheres sereis a suprema força do universo,
O Poder da Criação,
Símbolo do que vem a existir,
E de tudo o que é diverso,
Aqueles que serão seus carrascos,
Um dia chorarão por vós e pedirão para a dor em seus peitos se extinguir;
Serão feitos cacos."
Sophia chorou,
E de suas lágrimas derramdas sobre a Terra,
Nasceram os homens feitos de barro,
Fisicamente fortes, mas a parte mais frágil da humanidade.
Grandes pecados os filhos de Sophia cometeram,
Dentre eles, ousaram subjugar as filhas de Sophia a suas vontades,
E para pagar estas maldades,
Muitos deles,
Hoje por elas sofrem e choram.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva
*Nota: a frase,"Fragilidade, teu nome é mulher", é de Willan Shakespeare, dita por Hamelet, na peça de mesmo nome.

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 3:57 PM
 


22.2.05

Prendedor
( Do Varal da Imaginação )


Prendedor de plástico foi uma das coisas mais legais que conheci
Na infância
Adorava construir caças de combate
Cruzadores intergaláticos
Robôs gigantes ( que na verdade eram pequenos )
Com os prendedores de roupa da minha mãe

Prendedor foi o meu Lego

Hoje
Os prendedores já não brincam mais comigo
Acho que já não sou
Um engenheiro espacial intergalático
Construtor de robôs gigantes
Tão bom assim

Ah!
Era tão bom assim...

Francisco Maximiano da Silva

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 8:48 AM
 


16.2.05

Recital sem Sol

Manhãzinha de sol;
Bonita é verdade.
Coração tranqüilo
( Armei arapuca pra pegar mágoa ).
Um bendito canarinho me roubou a atenção por meia hora:
"Obrigado amiguinho!"
( Este deve ser um dos raros casos em que se agradece a um ladrão;
Mas era um ladrão bonzinho ).

Manhãzinha de sol,
Um dedo em sol maior:
Saboroso piano antigo de anos.

Ensaio:
Alguns goles de Bach,
Mozart,
Beethoven,
O apaixonado e louco Schuman,
Schubert,
Chopin,
Tchaikovsky,
Vila Lobos,
Carlos Gomes...
Sem goles de você...
Um gole de vinho tinto que não deveria estar ali.

Minha alma entra em ressonância,
E a música me hipnotiza.

Meu recital de piano não tinha sol.
Esqueci-o na falta da nota que não toquei.
Eclipsei a falta do sol,
E ninguém notou o sol que não tinha.
O sol não veio.

Aplausos;
( Para muitos uma partitura não passa de um monte rabiscos sem sentido.
Eu escuto a melodia com os olhos )
E eu com meu sol que não veio.

Sentiram a falta do sol que não tocou?

Sorri em amarelo;
E
Senti a falta de tudo o que me falta.
Sapiciência talvez,
E uma pitada de paciência.

Meu recital de piano não tinha sol
( Teria preferido um réquiem dedicado à mim mesma ).

Francine Maria Reis

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 4:25 PM
 


10.2.05

Apesar de tudo,
Existir é se ferir,
E um pouco também a fantasia.
Ainda assim, existência é o que se cria;
Não percamos a alegria.
Ai da sanidade daquele ou daquela, que num ou noutro momento dos
momentos que aqui está, das suas loucuras não se ria.
"Quem está aqui sou Eu".
Aqui é toda parte.

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 2:30 PM
 


4.2.05

Gente Como Toda a Gente

Não acredito em poetas.
Não acredito na existência de poetas,
Senhores das letras e dos versos,
Criaturas sobrenaturais.
Com todas as letras:
Não acredito e ponto.
O que há num poeta que falta nos outro?
Fingimento, como diria Pessoa?
Sensibilidade?
Quem disse que outros e outras não a têm?
( Ainda que seja verdade que poucas a trazem na algibiera do coração
Nesta mundo capital, corrido, e tão vão )
Não acredito em poetas.
Há medidores, metrificadores, rimadores,
E nem por isso
São bons ou ruins;
Nem por isso encantam
( Eu não encanto ).
Não acredito em poetas.
Poetas são gente como toda a gente
Que anda por aí a não pensar nos versos seus até tropeçar num..
São todos não-poetas;
Nestes eu acredito.
Poeta(s)?
Dizem haver muitos.
Eu?
Não acredito em poetas.

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 9:54 AM
 


1.2.05

Vendem-se sonhos?
Ora, sonhos não se vendem.
Sonha-se apenas.
Realiza-se apenas,
Às vezes são nossas penas.
Não arredo,
Não comprarei sonho algum,
Não pagarei felicidade de aluguel.
Quem sonha não precisa.

De que adianta encher a casa, o corpo, o guarda-roupa, o cofre e ter o resto tão vazio?

Sonho com meus sonhos de sonhar de sonhar de sonhar,
Levado sem nexo como uma pena soprada no ar.

Alguns sonhos nunca serão realizados
Ainda assim me são dados.

Poema de: Francisco Maximiano da Silva

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 8:51 AM
 
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